Todos falam e comentam sobre as desgraças. Todos as experimentaram e julgam conhecer o caráter múltiplo delas.
Venho dizer a você que todos estamos enganados, porque a verdadeira desgraça não é, de maneira nenhuma, aquilo que todos pensamos ser.
Onde vemos as desgraças?
Os homens veem a desgraça na miséria, na mesa sem pão, no fogão sem lume, no credor impaciente, no berço do anjo que antes sorria, nos acidentes de toda sorte, onde vidas são ceifadas, no féretro que se acompanha com o coração partido pela dor, na angústia da traição, na privação dos desejos e sonhos desfeitos e tantas outras coisas e situações nós chamamos de desgraça.
Sim, todas essas coisas e situações são desgraças quando as olhamos, com os olhos voltados, somente, no momento presente, na realidade atual, onde acontecem os fatos. Mas a verdadeira desgraça está mais além,.
A verdadeira desgraça está mais nas consequências das coisas do que nas próprias coisas e situações.
Vou revelar o que é a verdadeira desgraça.
A verdadeira desgraça é o ópio do esquecimento de si mesmo.
É quando você não se ama o suficiente para descobrir suas qualidades, suas capacidades, sua inteligência, seus sentimentos e ambições, suas finalidades como ser individual e único no mundo e se deixa influenciar pelas interpretações de vida, de outras pessoas, faz escolhas errôneas e por conseguinte, não faz as suas vontades como ser humano.
Não busca atualizar suas capacidades inatas, olhando, dentro de si mesmo, o quão lindo(a) você é, movido pela indiferença, que o(a) faz aceitar somente o que o outro(a) diz, como sendo verdade.
É desgraçado(a) aquele(a) que se esquece de si mesmo e busca nas ilusões do mundo e nas outras pessoas, as respostas para seus questionamentos. Que se entrega, de alma jubilosa, aos vícios do mundo; às alegrias efêmeras que os tornam cada dia mais dependentes das drogas, do álcool, do sexo desvirtuado, tornando-os assim, mais envolto nas energias deletérias que vilipendiam os homens, deixando-os totalmente inaptos para realizarem suas próprias vidas.
Para julgar uma coisa, é necessário, portanto, ver-lhe as consequências, nessa e na outra vida.
Para julgar o que é realmente felicidade ou desgraça para os homens é necessário transportar-se para além dessa vida física, porque é lá, na vida espiritual, que as consequências se revelam.
Tudo aquilo que o homem chama de desgraça cessa com a vida e tem sua compensação na vida após a morte do corpo, quando o ser, livre da veste carnal, se identifica com toda dor que possue e toma consciência da sua própria fraqueza e desgraça, vivendo a continuidade de vida, em sofrimento e dor, sem entender o que realmente lhe acontece.
Que importa ao soldado perder as armas, o equipamento e a farda na luta, contanto que saia vitorioso dela?
Que importa àquele que tem fé e confiança, sabendo que deu o melhor de si, em todas as coisas, deixar no campo de batalha sua veste carnal, contanto que sua alma possa entrar radiosa nos reinos celestes?
Que possamos, todos, esclarecermo-nos e restabelecermos essa verdade e esse erro, tão estranhamente desfigurado pela nossa mente. Somente assim vamos agir como bravos soldados que, longe de fugir das batalhas que a vida nos oferece, fugindo dos combates, vamos enfrenta-las, todas, e encontrar a paz, com a consciência tranquila, sabendo que combatemos o bom combate, quando nos conhecemos. Sabendo do que somos capazes, seguindo em frente, como filhos de Deus, lapidando o diamante que todos somos, em essência.

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